Hoje acordei para abraçar o mundo.
Queria por todos fazer tudo,
esquecer-me de mim...
Distribuir bom-dias à noite,
mudar as coisas de chofre.
Acho que não devia sorrir à toa,
não menosprezar o que magoa,
não deixar de ser um pouco boa.
Hoje acordei para ser melhor.
Tiraram-me da cama para chorar
pelo brilho do meu olhar
que não há quem não sinta
para que eu nunca minta
que há alguém que entende.
Hoje, não me contente!
Vim abraçar o mundo inteiro,
tal qual menino arteiro
que ignora o perigo e o medo
de cair quando ainda é cedo
e o mundo sequer sentiu um afago...
Wednesday, December 12, 2007
Saturday, November 17, 2007
Essa vai passar!!
"Você deve elaborar um texto de caráter dissertativo, abordando o tema A importância da Memória.
Na dissertação, analise o tema proposto, delimite um ponto de vista e escolha argumentos que o subsidiem."
RASCUNHO:
Maria era uma moça comum, como muitas daquelas que vemos passeando pelas ruas em tardes chuvosas. Não chamava a atenção por seus olhos azuis, mas pelo vazio que seu olhar era capaz de transparecer: Maria não tinha memória.
Quando pequena, aproveitava-se para esquecer a lição de casa, ou a briga que tivera com o irmão mais novo, ou até "quem comeu o bolo antes da festa?", como sua mãe insistia em questionar. Não sabia por que seus joelhos estavam esfolados depois do recreio na escola, ou quem era a loira que cantava suas músicas favoritas, ou quem era a boneca esquálida sobre sua cama. Maria perdeu a infância no fundo negro do seu esquecimento.
Gostou da adolescência. Enquanto suas amigas choravam e balbuciavam lamúrias ininteligíveis - "ele jurou que me amava", "não posso viver longe dele", "nunca mais vou amar ninguém" - Maria sorria. Assistia a suas colegas de classe tentando freneticamente copiar as danças de um bando de meninos sem graça ou de meninas seminuas para divertirem-se.
E agora, depois de tudo passado, Maria caminha pela chuva. Sozinha, com um sorriso vazio estampado no rosto, e os olhos vazios molhados, e o peito pesado, como pesa todo peito que carrega um coração vazio.
Na dissertação, analise o tema proposto, delimite um ponto de vista e escolha argumentos que o subsidiem."
RASCUNHO:
Maria era uma moça comum, como muitas daquelas que vemos passeando pelas ruas em tardes chuvosas. Não chamava a atenção por seus olhos azuis, mas pelo vazio que seu olhar era capaz de transparecer: Maria não tinha memória.
Quando pequena, aproveitava-se para esquecer a lição de casa, ou a briga que tivera com o irmão mais novo, ou até "quem comeu o bolo antes da festa?", como sua mãe insistia em questionar. Não sabia por que seus joelhos estavam esfolados depois do recreio na escola, ou quem era a loira que cantava suas músicas favoritas, ou quem era a boneca esquálida sobre sua cama. Maria perdeu a infância no fundo negro do seu esquecimento.
Gostou da adolescência. Enquanto suas amigas choravam e balbuciavam lamúrias ininteligíveis - "ele jurou que me amava", "não posso viver longe dele", "nunca mais vou amar ninguém" - Maria sorria. Assistia a suas colegas de classe tentando freneticamente copiar as danças de um bando de meninos sem graça ou de meninas seminuas para divertirem-se.
E agora, depois de tudo passado, Maria caminha pela chuva. Sozinha, com um sorriso vazio estampado no rosto, e os olhos vazios molhados, e o peito pesado, como pesa todo peito que carrega um coração vazio.
Wednesday, May 16, 2007
Combo!
Sou assim:
sou tudo e todas,
um pouco de cada,
uma vida cruzada,
infância desperdiçada.
Não choro por tudo,
só choro por nada...
Por estar no escuro
depois da vela apagada.
Gosto e desgosto.
Estranha mente de vai-e-vem
ora bem,
ora não,
ora também.
Paixão elegante
ou amor extravagante?
E em tudo mais que me convém
dou passos largos além
do pouco que se tem
no coração de alguém.
Não julgue e não conheça.
Sou feliz por um triz.
-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-
Vida de amarga poesia, que me ergue e se vangloria de roubar minha alegria assim, no fim do dia.
Como a chuva fina que não molha a menina, que despreza a rima, que olha por cima.
Iludida pelo teu agrado, ansiosa por algum recado, no eterno aguardo de um muito obrigado.
Um erro de cunho duvidoso, a certeza de um dia leproso, a memória do sorriso charmoso, do beijo, do abraço carinhoso.
Vida de estranha filosofia, que completa minha melancolia com a curta nostalgia de uma estrela em meio a meu dia.
sou tudo e todas,
um pouco de cada,
uma vida cruzada,
infância desperdiçada.
Não choro por tudo,
só choro por nada...
Por estar no escuro
depois da vela apagada.
Gosto e desgosto.
Estranha mente de vai-e-vem
ora bem,
ora não,
ora também.
Paixão elegante
ou amor extravagante?
E em tudo mais que me convém
dou passos largos além
do pouco que se tem
no coração de alguém.
Não julgue e não conheça.
Sou feliz por um triz.
-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-
Vida de amarga poesia, que me ergue e se vangloria de roubar minha alegria assim, no fim do dia.
Como a chuva fina que não molha a menina, que despreza a rima, que olha por cima.
Iludida pelo teu agrado, ansiosa por algum recado, no eterno aguardo de um muito obrigado.
Um erro de cunho duvidoso, a certeza de um dia leproso, a memória do sorriso charmoso, do beijo, do abraço carinhoso.
Vida de estranha filosofia, que completa minha melancolia com a curta nostalgia de uma estrela em meio a meu dia.
Friday, March 30, 2007
O preço da Felicidade
Quanto custa um sorriso? Custa um "muito obrigado" sincero, um sapato em promoção, o caminhar de um bebê, uma ligação inesperada, um golaço no fim do jogo, um reencontro com um velho amigo, um encontro com um novo amor... Custa um abraço encaixado, uma Coca-Cola Light bem gelada, uma roupa nova, um 10 na prova, um aluno que entende... Custa uma piada sem graça, uma festa com os amigos, cerveja barata, um beijo na testa, um convite no sábado... custa um xadrez na praça, uma paquera no parque, um trabalho bem feito, um esforço reconhecido, um suor na academia... Custa um olá, uma despedida, uma corrida, um tênis sujo, uma camisa rasgada, uma calcinha preta. Custa um conselho bom, uma música antiga, um lápis que acabou, um livro grosso, um filme curto... Custa um novo corte de cabelo, uma depilação completa, o lançamento de um perfume, uma brecha na agenda, um almoço sozinha, um cigarro acendido e outro negado... Custa uma lua cheia num céu estrelado, um dia nublado, a chuva no telhado... Custa uma flor que se abre, uma vela que se acende, um banho bem quente... Um sorriso custa um sorriso. E só um sorriso te faz sorrir...
Sunday, January 28, 2007
Sabes?
Quando choras, por que choras?
Não vejo alegria em tuas lágrimas
tampouco compreendo tua tristeza.
Não vejo partidas em teus olhos
ou chegadas em teus braços.
Sinto dor em tua boca
e firmeza em tuas pernas.
Por que choras, então?
Será que tua armadura caiu
ou que teu mundo ruiu?
Tombaste do pedestal que te erguia,
derrubaram tua fortaleza?
Revelaste tua fragilidade em lágrimas.
Será por isso que choras?
Enrolada em teus lençóis
e acolhida por tua música,
carregada para teu conto de fadas
também não sabes ao certo
quando choras, por que choras.
Não vejo alegria em tuas lágrimas
tampouco compreendo tua tristeza.
Não vejo partidas em teus olhos
ou chegadas em teus braços.
Sinto dor em tua boca
e firmeza em tuas pernas.
Por que choras, então?
Será que tua armadura caiu
ou que teu mundo ruiu?
Tombaste do pedestal que te erguia,
derrubaram tua fortaleza?
Revelaste tua fragilidade em lágrimas.
Será por isso que choras?
Enrolada em teus lençóis
e acolhida por tua música,
carregada para teu conto de fadas
também não sabes ao certo
quando choras, por que choras.
Friday, January 19, 2007
O último do sertão
Esses dias recebi um email com aquelas mensagens sobre a vida, o universo e tudo mais. Na verdade, recebi vários desse tipo, mas essa em especial é que eu gostaria de comentar.
Era uma apresentação que comparava a vida a uma viagem de trem. Pode parecer meio sem sentido, ou até brega (bem como eu gosto), mas me deu espaço para refletir bastante. Primeiro ela começava explicando a analogia, dizendo que a vida, assim como uma viagem de trem, era cheia de passageiros que embarcavam e desembarcavam em diferentes estações. Que alguns embarques podiam nos fazer incrivelmente felizes, enquanto muitos desembarques podiam nos fazer sofrer grandemente. Que alguns passageiros do trem podiam ficar conosco, ao nosso lado, durante apenas um trecho da viagem, para depois trocarem de vagão, mas que ainda assim podiam ser pessoas muito especiais em nossa vida. Que alguns desembarques podiam nos aliviar, ou que podíamos estar viajando longe daquele que queríamos mais perto.
Depois a mensagem falava sobre alguns tipos especiais de passageiros do trem. Tinha aqueles que estavam fazendo a viagem a passeio, outros a trabalho. Aqueles que passam de vagão em vagão para ajudar quem precisa, uns que resolvem simplesmente aproveitar a viagem, outros que resolvem tomar as rédeas do que se passa no trem, controlando tudo que está a seu alcance.
E, depois de ler algumas vezes, pensei em todos os pasageiros que deram uma volta ao redor do meu vagão, por mais rápido ou de repente que tenha sido. Parei e analisei qual tipo de passageiro eu era, o que eu faço com a minha vida e com a dos que estão próximos. Olhei para trás e lembrei de tantas coisas que eu já fiz, em tão pouco tempo...
E fiquei muito feliz.
"Quem vai chorar? Quem vai sorrir?
Quem vai ficar? Quem vai partir?
Pois o trem está chegando, tá chegando na estação.
É o trem das sete horas, é o último do sertão..."
Era uma apresentação que comparava a vida a uma viagem de trem. Pode parecer meio sem sentido, ou até brega (bem como eu gosto), mas me deu espaço para refletir bastante. Primeiro ela começava explicando a analogia, dizendo que a vida, assim como uma viagem de trem, era cheia de passageiros que embarcavam e desembarcavam em diferentes estações. Que alguns embarques podiam nos fazer incrivelmente felizes, enquanto muitos desembarques podiam nos fazer sofrer grandemente. Que alguns passageiros do trem podiam ficar conosco, ao nosso lado, durante apenas um trecho da viagem, para depois trocarem de vagão, mas que ainda assim podiam ser pessoas muito especiais em nossa vida. Que alguns desembarques podiam nos aliviar, ou que podíamos estar viajando longe daquele que queríamos mais perto.
Depois a mensagem falava sobre alguns tipos especiais de passageiros do trem. Tinha aqueles que estavam fazendo a viagem a passeio, outros a trabalho. Aqueles que passam de vagão em vagão para ajudar quem precisa, uns que resolvem simplesmente aproveitar a viagem, outros que resolvem tomar as rédeas do que se passa no trem, controlando tudo que está a seu alcance.
E, depois de ler algumas vezes, pensei em todos os pasageiros que deram uma volta ao redor do meu vagão, por mais rápido ou de repente que tenha sido. Parei e analisei qual tipo de passageiro eu era, o que eu faço com a minha vida e com a dos que estão próximos. Olhei para trás e lembrei de tantas coisas que eu já fiz, em tão pouco tempo...
E fiquei muito feliz.
"Quem vai chorar? Quem vai sorrir?
Quem vai ficar? Quem vai partir?
Pois o trem está chegando, tá chegando na estação.
É o trem das sete horas, é o último do sertão..."
Saturday, December 02, 2006
Unidunitê!
Malditas opções! Não consegui escolher qual a música que eu quero ouvir agora. E não acredito que a minha opção de janta (sanduíche de presunto e mel) tenha sido a melhor idéia. E ainda acho difícil saber se todas as outras escolhas que fiz, remota ou recentemente, foram, de fato, tão boas quanto eu imaginei que pudessem ser. E nunca sei o quão boas elas podem ser. E para cada escolha que faço, abro um novo leque de novas opções a fazer e imagino um mundo para cada uma que fizer. E assim eu não canso de escolher, optar, decidir, desistir e seguir em frente.
Sapato preto ou vermelho? Casa ou viagem? Átomos ou leis? Saia ou vestido? Sorvete ou chocolate? Bolsa grande ou pequena? Cinema ou sofá? Loiro ou moreno? Brinco ou colar? Quarto ou festa? Id ou superego? Jeans ou camisola? Dourado ou prateado? Agora ou depois? Rio ou choro? Eu ou ele? Com ou sem? Falo ou não falo? Passo ou não passo? Leio ou não leio? Desisto ou não desisto? Escrevo ou continuo assim...
E sorrio porque cada escolha que faço, cada sim ou não que respondo, cada possibilidade é, para mim, uma oportunidade. Tantas e tão boas coisas que me acontecem quando o dia parece ter sido o pior possível. Quantas vezes o sol não se abriu depois de o tempo fechar? Ou quantas vezes a chuva não foi boa para esconder as lágrimas e lavar as almas? Quantos frutos não ficaram mais fáceis de apanhar depois da ventania? Quantas vezes não pude reconstruir minha casa, ou rearrumar meu quarto? Quantos sapatos já não comprei procurando por um vestido?
Benditas escolhas.
Sapato preto ou vermelho? Casa ou viagem? Átomos ou leis? Saia ou vestido? Sorvete ou chocolate? Bolsa grande ou pequena? Cinema ou sofá? Loiro ou moreno? Brinco ou colar? Quarto ou festa? Id ou superego? Jeans ou camisola? Dourado ou prateado? Agora ou depois? Rio ou choro? Eu ou ele? Com ou sem? Falo ou não falo? Passo ou não passo? Leio ou não leio? Desisto ou não desisto? Escrevo ou continuo assim...
E sorrio porque cada escolha que faço, cada sim ou não que respondo, cada possibilidade é, para mim, uma oportunidade. Tantas e tão boas coisas que me acontecem quando o dia parece ter sido o pior possível. Quantas vezes o sol não se abriu depois de o tempo fechar? Ou quantas vezes a chuva não foi boa para esconder as lágrimas e lavar as almas? Quantos frutos não ficaram mais fáceis de apanhar depois da ventania? Quantas vezes não pude reconstruir minha casa, ou rearrumar meu quarto? Quantos sapatos já não comprei procurando por um vestido?
Benditas escolhas.
Subscribe to:
Posts (Atom)