Sunday, July 31, 2005

Como assim?!

O difícil não é saber. Sei muito bem que chocolate dá espinhas, que cigarro faz mal à saúde e que biscoitos são calorias e não carinho. Sei que, sim, aquela fatia de cheesecake vai fazer diferença na minha dieta. Sei que não adianta horas e horas de academia para que aquele vestido branco fique tão maravilhoso em mim quanto na Gisele Bünchen. Sei que não vai dar tempo de estudar cinco capítulos inteiros até amanhã de manhã. Sei que não há condições de começar e terminar aquele trabalho interminável no prazo dado. Sei que aquele sapato lindo é um número menor, aperta e faz duas bolhas em cada pé. E sei que, por mais que eu me esforce, não vou conhecer o Brad Pitt nesta vida.
Também não é tão difícil assim perceber. Claro que eu percebi que as pessoas andam estranhas, egoístas e desumanas. Percebi que os mais jovens já não respeitam os mais velhos. Percebi que por mais que os melhores conselhos sejam dados de graça, eles não são levados em conta. Percebi que as mudanças de atitude mais efetivas são aquelas que afetam o bolso. Percebi que os sentimentos vis costumam se sobrepor aos sentimentos mais puros. Percebi que as pessoas não aceitam mais uma mão estendida ou um abraço amigo, pois esses estão cada vez mais escassos.
O difícil mesmo é aceitar. É, não dá mais para usar aquele sapato por mais perfeito que ele fique com aquele casaco e com aquele colar. Não dá mais para ir pegar um cineminha com as amigas ou com o namorado e deixar para fazer tudo em cima da hora. Não dá mais para ler aquele livro super interessante, que está saltando da prateleira há horas, enquanto tem pilhas de papéis em cima da escrivaninha. É complicado aceitar que aquele cara casado está te dando o maior mole, que sua função de amiga foi delegada a uma psicóloga barata e que seu carro só baixou de 80 km/h depois de pagar uma multa astronômica.
E depois de horas vendo Sex and the City, de muitos potes de sorvetes com calda de caramelo e de incontáveis caixas de lencinhos, ou seja, depois de aceitar tudo isso, chega a hora de mudar. E mudar é quase tão ruim quanto aceitar.
Parar de fumar, levar a sério uma dieta, acreditar que é realmente possível fazer a diferença, mesmo que seja em uma só pessoa. Trabalhar quando for preciso, por mais chato que isso possa parecer. Ajudar sempre, mesmo que ninguém esteja a fim de ser ajudado. Cuidar de quem está próximo ou de quem está longe. Manter contato, fazer as unhas, malhar por saúde. Comer por fome, doar um agasalho, fazer alguém rir até doer a barriga. Valorizar um amor, um bilhete, uma moeda. Estar sempre pronta para quem precisa, pois um dia você pode precisar. Eliminar o que incomoda, melhorar o que está bom, manter o excepcional.
Tudo isso dá trabalho. Aceitar às vezes dói. Mas não custa nada. Talvez por isso seja tão difícil.

Thursday, July 28, 2005

Eu e meus prantos

"É de lágrima que eu faço o mar para navegar..."

Choro. Com motivos, sem motivos, com razão ou com emoção.
Não choro porque briguei com o namorado, ou porque perdi o emprego, ou porque não aguento mais estudar para a faculdade.
Não choro porque a Carolina Dieckman cortou todo o cabelo, ou porque o Anakin Skywalker matou criancinhas para virar Darth Vader, ou porque o Scar matou o Mufasa por pura ganância.
Não choro porque o país é corrupto, ou porque crianças morrem de fome na África, ou porque milhares de famílias perdem seus lares por causa de ondas gigantescas.
Não choro porque cortei o dedo, ou porque parti meu coração, ou porque me decepcionei.
Choro por tudo. Choro por nada. Choro pela simples vontade de chorar. Choro para lavar a alma, os olhos, a maquiagem, o carpete. Choro para esquecer, para lembrar, para fugir, para voltar.
Choro porque choro. Choro sempre. Choro, logo existo.

Wednesday, July 27, 2005

Paixões Estranhas

Você já conheceu o grande amor da sua vida. Para sua felicidade, ele também já te conheceu. As coisas estão ótimas. A casa, os filhos, o orçamento familiar e o almoço de domingo já estão minuciosamente planejados. De repente, por um mero acaso, você se apaixona. Não por ele, não pelo Brad Pitt ou por um antigo amigo que está em Londres. Uma paixão possível, que mora logo ao lado.
Tudo começa em uma coincidência. Vocês se encontram fora do lugar usual e descobrem que gostam de uma coisa em comum. É a desculpa perfeita para começar uma conversa. Você certamente soube o nome dele desde o início e, para sua surpresa (ou desespero), ele também sabe o seu. A conversa flui, o interesse aumenta, os hormônios enlouquecem e a pulga atrás da orelha pula cada vez mais.
Ele pode não ser bonito, mas alguma coisa nele te atrai. Ele é inteligente, interessante, adora ficar horas de papo com você e, de certa forma, também te retribui o olhar apaixonado. Como uma boa representando do sexo feminino, você já pensou milhares de possibilidades sobre isso. Já fantasiou um encontro, uma conversa comprometedora, um convite, um beijo, um carinho. Suas amigas, como boas amigas, já perceberam tudo e adoram fazer piadinhas que só a deixam mais confusa. É, você está com 15 anos novamente.
O que fazer agora?! Será que acabou tudo com seu grande amor por causa desse cara que acabou de aparecer em sua vida? Será que vale a pena correr este risco e viver essa aventura? Será que não é só você que está ficando louca?
Não, não acabou, não vale a pena e você não está louca. É só uma paixão. Daquelas que vão e vem a toda hora, sem avisar e sem deixar rastros no final. É saudável, faz bem para o ego e te abre os olhos para avisar que você não está fora do mercado: continua tão sexy quanto quando seu grande amor cruzou o seu caminho. E não há nada melhor que descobrir que você não perdeu a prática nos joguinhos de sedução.
Quem sabe no futuro? Quem sabe em uma outra vida? Quem sabe só em sonhos? Não tenho tempo para decidir agora. Tenho que voltar ao grande amor da minha vida: vamos redecorar o quarto das crianças.

Tuesday, July 26, 2005

E agora, José?

Hoje quando cheguei em casa, minha mãe estava assistindo ao depoimento ao vivo da mulher de Marcos Valério, Renilda de Souza, e eu acabei por assistir também. Pobre mulher. Não, não estou aqui em defesa de nada, até nem estou muito por dentro do que está acontecendo. Não me dou o direito de julgá-la pelo que ela fez ou não fez, disse ou não disse. Mas em defesa da fragilidade de uma mulher exposta naquele exato momento em que tudo que ela quer é uma barra de chocolate e os DVD's da última temporada de Friends.
Só no período das 17h em diante, Renilda teve 2 crises de choro. Indiferentes a suas lágrimas, os deputados continuaram a interrogá-la de forma dura e por vezes repetitiva, pressionando-a e até acusando-a. Sem fazer juízos, responda rápido: o quão ruim é falar durante o dia inteiro (o depoimento começou por volta das 9:30h e não acabou antes das 19:30h) sobre o fim da vida que você levava? E mais, televisionado! E pior, sendo acusada responsável!! Para mim, deve ser uma boa idéia do que é o Juízo Final.
Feministas da Fabico que me desculpem, mas sim, nós somos o sexo frágil. Que mulher nunca deu um sorrisinho ao ver outra mulher grávida, ou uma criança fofinha num carrinho? Que mulher nunca se emocionou assistindo aos comerciais de fim de ano do Zaffari? Qual delas não encheu os olhos d'água vendo o Richard Gere em uma limusine branca e com flores na mão indo buscar a Julia Roberts num hotelzinho de quinta categoria, em "Uma Linda Mulher"? Toda mulher fecha para balanço depois do fim de um namoro, se entope de doces quando está triste, corre para a academia depois daquele fora pensando: "Ele vai ver, ele vai ver quem ele dispensou!".
Queremos ser fortes. Ouvimos caladas a pressão do chefe, guardamos a raiva por nossas amigas não darem bola a nossos conselhos, abstraímos os comentários da família na linha de "eu bem que te disse!", fingimos estar tudo bem quando o namorado cancela aquele programa que você estava tri a fim de fazer e resistimos à tentação de comprar aquele sapato maravilhoso pela próxima semana, até achar a calça ideal para usar com ele.
Mas um dia isso estoura! O emprego vai, as amigas estão ocupadas demais, a família sabia que aquela não era uma boa idéia, o namorado se apaixonou pela vizinha e o sapato saiu de linha. Pronto! Manda uma lata de Leite Moça e a coletânea completa de filmes da Meg Ryan que está na hora. E Renilda Santiago de Souza foi pega bem nessa hora.
Não sei e nem quero saber se ela está certa, errada ou em cima do muro. Só me avisem quando ela conseguir sorrir de novo. Preciso ajudá-la na escolha do sapato.

Monday, July 25, 2005

Einstein na Veja

Ainda não está nas bancas, mas na Revista Veja de 27 de julho há uma reportagem de 14 páginas sobre Einstein e seu annus mirabilis e suas teorias e suas influências. Não sou expert em Einstein, nem em crítica jornalística, mas acho válido deixar minha opinião.
A matéria traz muitas informações boas, algumas erradas e poucas excelentes. Por exemplo, segundo a jornalista, as idéias de Einstein estão presentes na Metafísica (aquela de gurus, telepatia, abdução por alienígenas). O argumento? O princípio da incerteza de Heisemberg. Ou seja, "tudo a ver"!!!
Fala um pouco sobre a visita de Einstein à América Latina. Não sou muito conhecedora desse fato da vida dele, mas fiquei de certa forma dividida entre as opiniões que dizem estar em seu diário pessoal. Diz que Einstein não foi respeitado cientificamente em sua palestra no Clube de Engenharia, que as pessoas na América Latina era vazias e pouco interessantes e que todos o observavam como um animal exótico em uma gaiola, sem entender chongas do que ele falava. Acredito que todos esses fatos sejam reais. E isso me entristece.
Outros dois pontos da reportagem também tiraram o brilho de meu dia. Um do próprio Einstein e outro da autora. Einstein disse que "a ciência é algo maravilhoso quando não se precisa tirar dela o ganha-pão". Ah, se eu tivesse conhecido esse cara antes... A jornalista diz que é improvável que haja um novo Einstein no mundo. Faz sentido dada a quantidade de pesquisadores na atualidade e de revistas que publicam sobre a atuação rebimboca da parafuseta no átomo de hidrogênio da esquerda da molécula de água. Ah, se eu tivesse sabido disso antes...
No mais, achei ótima a tentativa de mostrar um pouco do que significam as idéias de Einstein no mundo em que vivemos. Meu pai ainda está meio atordoado. Ainda bem que eu estou aqui para ajudar.

Saturday, July 23, 2005

Onde, meu Deus, onde?!

Estou chocada!
Hoje à tarde, como em um típico sábado à tarde durante as férias, eu não tinha nada para fazer. Depois de almoçar, resolvi então dar uma leve passeada pelo shopping Iguatemi (queria comprar um sapato preto e uma camisa branca) e pela Livraria Cultura (para comprar um ou dois ou muitos livros). Doce ilusão...
A Nilo Peçanha já estava engarrafada desde a Savarauto e os estacionamentos só tinham vagas no último andar. Pelos corredores era impossível andar sem esbarrar nos outros passeantes e pelas lojas não se era atendido sem estar lá há, no mínimo, 10(dez) minutos. Renner e C&A nem se comenta.
Cansada deste atrolho, combinei com uma amiga minha, a Luísa Helena, de irmos na Padre Chagas tomar um café e matar a saudade, já que fazia muito tempo que não nos víamos. Mais gente passeando.
Algumas questões surgiram em minha mente:
- "Será que todos não tinham nada para fazer como eu?"
- "De onde veio tanta gente, já que pelos meus cálculos (não que eu seja boa nisso) deveria estar todo mundo em Gramado em concordância com a lotação dos hotéis de lá?"
- "As pessoas perderam o medo de entortar a cara no frio?"
- "Onde se vendem os lindíssimos casacos pretos que várias peruas estavam usando quando eu estou louca por um também?"
Estou encucada. Espero conseguir dormir, apesar disso.

"Mas que milagre você por aqui!"

Pois é. Me rendi à modernidade e à invasão de privacidade que ela acarreta.
Não me incomodo com isso; eu mesma decidi me expor.
"Tá, mas e por que não um fotolog?!"
Fotolog está na moda, todo mundo tem, é legal ter um fotolog. Por isso mesmo que eu não tenho. Prefiro simplesmente escrever o que me convém. Acho que ainda não perdi meu sonho de escrever um livro. Mas acredito que vou acabar só plantando uma árvore ou tendo um filho.
De qualquer maneira: bem-vindos ao mundo de Marlboro. Digo, de Marimon.