Thursday, December 19, 2013

2014

Com o passar dos anos(-novos), fui perdendo um pouco do encanto pela promessa de novidades que eles trazem consigo. Talvez pela minha veia desde-pequena sonhadora em conjunto com minha veia não-tão-jovem procrastinadora, eu nunca tenha conseguido realizar tudo aquilo a que me propunha.
Venho melhorando, é claro. Esse ano, por exemplo, consegui levar uma agenda de planejamentos até a metade de novembro - um recorde para quem a abandonava em abril, quando muito. E desde o ano passado não como nuggets, faço minhas próprias almôndegas e hambúrgueres, e desisti de prometer largar a Coca Zero/Light/Cherry/Plus. Em 2013 fui até bem realista: faltou só o botox e alguns (vários) quilos.
Por outro lado, porém, fico aqui pensando se vale mesmo a pena deixar para depois da aposentadoria todo aquele mar de sonhos e vontades que enche meu coração. Decidi, por exemplo, que em 2014 eu vou para o Egito. Ora, eu quis conhecer as pirâmides desde o tempo de colégio e agora ainda sei tão mais sobre a história do lugar e sobre a beleza e o encanto de viajar para países de influência árabe. Por que não, então? E no mesmo instante em que mentalmente me questiono, trago um saco de respostas enraizadas: é muito caro, tu não deves ir sozinha, tens que organizar tuas férias, com quem vão ficar os guris, a Europa é mais seguro, tu não falas o idioma local, blábláblá, mimimi... E agora já não sei mais se eu decidi mesmo. Ou se vou me enganar. Ou se, como diz a minha mãe, o que eu falo não se escreve. Logo eu, que gosto tanto de escrever.
O meu ponto, todavia, é que estou lentamente percebendo que essas resoluções, esses ímpetos de ação e sonho não parecem mais depender da troca numérica do ano que eu assino no cheque (sem fundo, no caso). Tanto que meu novo sonho é passar a meia-noite do dia 31 dormindo, depois de um filme deprê e uma miojo, à la Carrie Bradshaw heartbroken. Acredito mais a cada ano que passa, que não preciso esperar dezembro para reavaliar minha vida, meu ano, meu futuro. A noção de futuro já se perdeu e tudo o que se deseja pode ser hoje. Deve ser hoje. Se não for, corre o risco de se perder numa bucket-list nunca consultada, no fundo daquela gaveta de meias para a academia em que nunca me inscrevi.
Enfim...
Um bom 2014. Que seja melhor que 2013. Que ele faça alguma diferença.

Update: Comprei minha passagem.