Ah, como eu queria
que os calos de minha mão
fossem marcas de paixão.
Não são:
são de torcer pano de chão.
Thursday, February 27, 2014
Tuesday, February 25, 2014
Ai, como eu tô vegana.
Já fiz chacota (i.e. bullying old school) de estilos alimentares não-onívoros. Não via razão. Apenas não via. E ainda arriscava a saúde dos meus dentes com a réplica: o dia-a-dia de uma rês simplesmente não vale a pena. Eu era malvada. E me achava legal.
Até que a volta de Saturno (ou o bichinho da liberdade) me pegou antecipadamente e eu decidi rever minha vida. TODA a minha vida - desde seus menores pormenores.
E resolvi GO VEGAN (!) por um mês.
A decisão não tinha bases ideológicas, mas sim, alimentares. Por isso, aliás, que eu cuidei para jamais me definir como vegana. Eu dizia que estava seguindo uma dieta vegana, ou apenas que "estava" vegana. Preciosismo? Pode ser, mas não quis faltar com respeito a quem, de fato, é. O que eu buscava com a minha decisão eram duas pequenas coisas.
Primeiramente, eu precisava rever com profunda seriedade meus hábitos alimentares, a fim de não me encontrar novamente com um manifesto distúrbio (digo manifesto, porque estou cada vez mais em paz com minha condição de achar tudo gordo, tudo feio, tudo flácido; a meta é viver em paz com isso). Estava cansada de ser capaz de comer de tudo, inclusive e principalmente alimentos absurdamente saudáveis, que, todavia, jamais entravam na minha geladeira, preteridos pela massa-com-molho-pronto-talvez-vencido que rolava com mais frequência do que eu gostaria de admitir. Eu estava percebendo que sequer me dava ao trabalho de comer frutas durante o dia, sempre trocando por um lanche mais rápido, como barrinhas de cereal, biscoitos ou aquele pão de batata com requeijão meleca do restaurante do trabalho. Muito errado...
Segundamente, estou optando por uma vida experiencial. Eu queria saber exatamente como era adotar uma dieta vegana. Queria entender como seria recusar uma fatia de torta de doce de leite com gotas de chocolate, qual a angústia que eu ia sentir, quais os efeitos esse desejo não satisfeito ia manifestar em meu corpo. Meio loucura, mas era isso. Uma vez eu vi um filme em que o velho escritor aposentado ensinava o jovem escritor cheio de ideias a escrever. Uma das dicas que mais me marcou foi que, para escrever bem, era preciso ter sentido o que se descrevia. Então estou meio por essas, de sentir o máximo possível. Quem sabe era isso que me faltava para tirar este sonho do papel.
Já estou quase chegando ao fim de minha meta, mais faceira do que imaginei, e enquanto escrevia este pequeno devaneio me deparei com um site de um menino que também tinha feito um mês de dieta vegana, inspirado no TED talk do Matt Cutts, "Try something New for 30 Days." Achei apropriado.
Depois eu venho aqui contar como foi.
E quem perguntar o quanto eu estou levando a sério, já até comprei a camiseta: "Não, nem mel."
__
Sunday, February 23, 2014
Tuesday, February 18, 2014
Last Night
.
com todo aquele
com todo aquele
papo,
de sonho-amor-liberdade,
não lhe sobrara mais
nada
além de fazer a faxina
pelada.
.
tipo e.e.cummings.
só que...
.
tipo e.e.cummings.
só que...
Monday, February 17, 2014
Friday, February 14, 2014
Segunda Via
Ela chegou cansada, um pouco suada da caminhada que por acaso a levou até ali. Tomava água direto da garrafa para amenizar o calor escaldante do lado de fora.
Ele a olhou brevemente. Ela retribui o olhar e sorriu. Ele sorriu de volta, um pouco envergonhado.
Teve vontade, naquele momento, de confessar sua solidão.
Ela agradeceu o serviço prestado, puxou um assunto sobre o tempo lá fora, conjecturando a chuva prevista para o fim da semana. Ele aceitou a conversa, ignorando a pequena fila que se formava atrás dos olhos dela.
Teve vontade, então, de compartilhar o barulho da chuva pela janela.
Mas aquele sorriso bastara em seu dia.
Despediram-se.
Ela saiu, piscando ao virar-se para fechar a porta.
A vontade ficou.
Ele a olhou brevemente. Ela retribui o olhar e sorriu. Ele sorriu de volta, um pouco envergonhado.
Teve vontade, naquele momento, de confessar sua solidão.
Ela agradeceu o serviço prestado, puxou um assunto sobre o tempo lá fora, conjecturando a chuva prevista para o fim da semana. Ele aceitou a conversa, ignorando a pequena fila que se formava atrás dos olhos dela.
Teve vontade, então, de compartilhar o barulho da chuva pela janela.
Mas aquele sorriso bastara em seu dia.
Despediram-se.
Ela saiu, piscando ao virar-se para fechar a porta.
A vontade ficou.
Subscribe to:
Comments (Atom)