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Friday, June 19, 2015
Thursday, June 18, 2015
Andar de bicicleta
Quebrei um pedaço da minha casa. Não toda, nada grave, apenas decidi tirar o reboco de uma das paredes da sala (uma que tinha um espelho grande), para deixar a decoração em um estilo mais rústico-industrial. Vi no Pinterest que é tendência. Certeza que a Kim Kardashian West tem na casa dela. Certeza! Mas, ao contrário da invejável realeza da sociedade, meus pedreiros e pintores e fazem-tudo foram aos pouco me deixando na mão. E com a mão em mãos, resolvi quebrar eu mesmo.
Houve Google e Youtube até não mais caber nas abas abertas do meu Safari. Primeiro, materiais necessários: sacos de caliça, marreta, talhadeira. Cuidados básicos: muita poeira, risco de danificar o piso, muita atenção para não estragar os tijolos. Acabamentos: lixar a superfície, limpar bem, selador acrílico. Martelo em riste (porque a marreta estava muito cara na loja de departamentos), pus-me ao trabalho.
Acontece que o que ninguém pensa em te avisar - nem mesmo a Martha Stewart Home & Living - é sobre a incrível sensação de destruir uma parede. É sobre aquele momento em que, já aberto o espaço necessário, a ferramente se encaixa perfeitamente no milimétrico vão entre a camada de cimento do revestimento e os tijolos tão belamente alocados. Sobre a tensão, o cuidado, que separa o fatídico segundo entre deixar ruir todo um esforço em farelos e poeira, ou perfeitamente tirar um grande pedaço revelando o tão almejado estilo rústico de demolição.
E ainda que a sujeira venha a cobrir os cabelos devidamente presos e secar minhas narinas atenciosamente cobertas por uma máscara, a sensação de sentir cair (e machucar) na ponta dos pés um pedaço grande de revestimento faz valer as tantas horas investidas, o tanto tempo para pensar na vida.
Cheguei a comparar minha atividade ao sexo. Talvez por saudade, talvez por tamanha semelhança que vivenciei. Como uma ode ao momento que antecede o orgasmo. Ao quase lá, continua assim, assim. Ao encontro perfectibilizado entre força e vibração. Ambos pairando sobre uma precisão milimétrica. Ambos ameaçados pela ruína ou pela perfeição. Ambos indescritivelmente arrebatadores.
Ainda há esperança, então, enquanto houver algo para ser desconstruído.
Certeza que se eu fosse uma Kardashian não ia precisar lidar com isso. Certeza!
Houve Google e Youtube até não mais caber nas abas abertas do meu Safari. Primeiro, materiais necessários: sacos de caliça, marreta, talhadeira. Cuidados básicos: muita poeira, risco de danificar o piso, muita atenção para não estragar os tijolos. Acabamentos: lixar a superfície, limpar bem, selador acrílico. Martelo em riste (porque a marreta estava muito cara na loja de departamentos), pus-me ao trabalho.
Acontece que o que ninguém pensa em te avisar - nem mesmo a Martha Stewart Home & Living - é sobre a incrível sensação de destruir uma parede. É sobre aquele momento em que, já aberto o espaço necessário, a ferramente se encaixa perfeitamente no milimétrico vão entre a camada de cimento do revestimento e os tijolos tão belamente alocados. Sobre a tensão, o cuidado, que separa o fatídico segundo entre deixar ruir todo um esforço em farelos e poeira, ou perfeitamente tirar um grande pedaço revelando o tão almejado estilo rústico de demolição.
E ainda que a sujeira venha a cobrir os cabelos devidamente presos e secar minhas narinas atenciosamente cobertas por uma máscara, a sensação de sentir cair (e machucar) na ponta dos pés um pedaço grande de revestimento faz valer as tantas horas investidas, o tanto tempo para pensar na vida.
Cheguei a comparar minha atividade ao sexo. Talvez por saudade, talvez por tamanha semelhança que vivenciei. Como uma ode ao momento que antecede o orgasmo. Ao quase lá, continua assim, assim. Ao encontro perfectibilizado entre força e vibração. Ambos pairando sobre uma precisão milimétrica. Ambos ameaçados pela ruína ou pela perfeição. Ambos indescritivelmente arrebatadores.
Ainda há esperança, então, enquanto houver algo para ser desconstruído.
Certeza que se eu fosse uma Kardashian não ia precisar lidar com isso. Certeza!
Thursday, June 11, 2015
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