Hoje quando cheguei em casa, minha mãe estava assistindo ao depoimento ao vivo da mulher de Marcos Valério, Renilda de Souza, e eu acabei por assistir também. Pobre mulher. Não, não estou aqui em defesa de nada, até nem estou muito por dentro do que está acontecendo. Não me dou o direito de julgá-la pelo que ela fez ou não fez, disse ou não disse. Mas em defesa da fragilidade de uma mulher exposta naquele exato momento em que tudo que ela quer é uma barra de chocolate e os DVD's da última temporada de Friends.
Só no período das 17h em diante, Renilda teve 2 crises de choro. Indiferentes a suas lágrimas, os deputados continuaram a interrogá-la de forma dura e por vezes repetitiva, pressionando-a e até acusando-a. Sem fazer juízos, responda rápido: o quão ruim é falar durante o dia inteiro (o depoimento começou por volta das 9:30h e não acabou antes das 19:30h) sobre o fim da vida que você levava? E mais, televisionado! E pior, sendo acusada responsável!! Para mim, deve ser uma boa idéia do que é o Juízo Final.
Feministas da Fabico que me desculpem, mas sim, nós somos o sexo frágil. Que mulher nunca deu um sorrisinho ao ver outra mulher grávida, ou uma criança fofinha num carrinho? Que mulher nunca se emocionou assistindo aos comerciais de fim de ano do Zaffari? Qual delas não encheu os olhos d'água vendo o Richard Gere em uma limusine branca e com flores na mão indo buscar a Julia Roberts num hotelzinho de quinta categoria, em "Uma Linda Mulher"? Toda mulher fecha para balanço depois do fim de um namoro, se entope de doces quando está triste, corre para a academia depois daquele fora pensando: "Ele vai ver, ele vai ver quem ele dispensou!".
Queremos ser fortes. Ouvimos caladas a pressão do chefe, guardamos a raiva por nossas amigas não darem bola a nossos conselhos, abstraímos os comentários da família na linha de "eu bem que te disse!", fingimos estar tudo bem quando o namorado cancela aquele programa que você estava tri a fim de fazer e resistimos à tentação de comprar aquele sapato maravilhoso pela próxima semana, até achar a calça ideal para usar com ele.
Mas um dia isso estoura! O emprego vai, as amigas estão ocupadas demais, a família sabia que aquela não era uma boa idéia, o namorado se apaixonou pela vizinha e o sapato saiu de linha. Pronto! Manda uma lata de Leite Moça e a coletânea completa de filmes da Meg Ryan que está na hora. E Renilda Santiago de Souza foi pega bem nessa hora.
Não sei e nem quero saber se ela está certa, errada ou em cima do muro. Só me avisem quando ela conseguir sorrir de novo. Preciso ajudá-la na escolha do sapato.
Tuesday, July 26, 2005
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3 comments:
Ah, pois é.
Mas discoro: Juízo Final uma ova! É o primeiro. E tem vários por vir ainda. E não é só a Renildinha que tava fragilizada; o Delúbio se mostrou muito mais sensível e tremelicado quando questionado. Acho que a Renilda foi é muito macho.
Mas fico imaginando como deve ser aquilo...
Não tem quem não trema...
E "feministas da FABICO"? Gostei. ;)
Beijos.
E eu entendi o ponto sim!
E imagino como ela deve estar se sentindo. Aliás, não. Não imagino.
Mas por bem menos eu fico tocado, então faço os cálculos da sensação com que ela está convivendo.
Mas é isso. Dos interesses em jogo, o sofrimento dela é oq ue menos pesa. E não tão nem aí. Vão descer o cacete nela muito mais.
Agora, quanto a sensações que mulheres todas sentem, acredito que não é muito diferente dos homens. Só a maneira como isso é externado que é diferente.
Did I get your point?
...
Post Scriptum: Como a Lili botou a foto dela num comentário?
Manda essa crônica pros jornais!! sério!! quem sabe não descobrem esse potencial q tem em ti!!! mesmo que não publiquem, mas tenta! hehehe... uma bela crônica Mari! e isso q eu disse não eh brincando não viu? manda pra ZH mesmo! hehe...
Bjos!!
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