O difícil não é saber. Sei muito bem que chocolate dá espinhas, que cigarro faz mal à saúde e que biscoitos são calorias e não carinho. Sei que, sim, aquela fatia de cheesecake vai fazer diferença na minha dieta. Sei que não adianta horas e horas de academia para que aquele vestido branco fique tão maravilhoso em mim quanto na Gisele Bünchen. Sei que não vai dar tempo de estudar cinco capítulos inteiros até amanhã de manhã. Sei que não há condições de começar e terminar aquele trabalho interminável no prazo dado. Sei que aquele sapato lindo é um número menor, aperta e faz duas bolhas em cada pé. E sei que, por mais que eu me esforce, não vou conhecer o Brad Pitt nesta vida.
Também não é tão difícil assim perceber. Claro que eu percebi que as pessoas andam estranhas, egoístas e desumanas. Percebi que os mais jovens já não respeitam os mais velhos. Percebi que por mais que os melhores conselhos sejam dados de graça, eles não são levados em conta. Percebi que as mudanças de atitude mais efetivas são aquelas que afetam o bolso. Percebi que os sentimentos vis costumam se sobrepor aos sentimentos mais puros. Percebi que as pessoas não aceitam mais uma mão estendida ou um abraço amigo, pois esses estão cada vez mais escassos.
O difícil mesmo é aceitar. É, não dá mais para usar aquele sapato por mais perfeito que ele fique com aquele casaco e com aquele colar. Não dá mais para ir pegar um cineminha com as amigas ou com o namorado e deixar para fazer tudo em cima da hora. Não dá mais para ler aquele livro super interessante, que está saltando da prateleira há horas, enquanto tem pilhas de papéis em cima da escrivaninha. É complicado aceitar que aquele cara casado está te dando o maior mole, que sua função de amiga foi delegada a uma psicóloga barata e que seu carro só baixou de 80 km/h depois de pagar uma multa astronômica.
E depois de horas vendo Sex and the City, de muitos potes de sorvetes com calda de caramelo e de incontáveis caixas de lencinhos, ou seja, depois de aceitar tudo isso, chega a hora de mudar. E mudar é quase tão ruim quanto aceitar.
Parar de fumar, levar a sério uma dieta, acreditar que é realmente possível fazer a diferença, mesmo que seja em uma só pessoa. Trabalhar quando for preciso, por mais chato que isso possa parecer. Ajudar sempre, mesmo que ninguém esteja a fim de ser ajudado. Cuidar de quem está próximo ou de quem está longe. Manter contato, fazer as unhas, malhar por saúde. Comer por fome, doar um agasalho, fazer alguém rir até doer a barriga. Valorizar um amor, um bilhete, uma moeda. Estar sempre pronta para quem precisa, pois um dia você pode precisar. Eliminar o que incomoda, melhorar o que está bom, manter o excepcional.
Tudo isso dá trabalho. Aceitar às vezes dói. Mas não custa nada. Talvez por isso seja tão difícil.
Sunday, July 31, 2005
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2 comments:
Esta é minha amiga Marimon...
O que dizer?? Que Adorei? Que eu concordo? Serve? Tenho certeza que já sabes... Pára de achar que vais plantar uma árvore ou ter um filho, ok? Não que alguém te proíba disso! Não! Mas deves materializar a idéia de escrever teu livro! Largar essas idéias loucas e tão expressivas em algumas folhas! Não vão faltar leitores!
Amiga! É isso por hoje!
Aguardo um contato teu (pois está praticamente impossível!) para tomarmos um café e mudarmos a "linguagem" ok??
Grande Beijo
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